

Contra a política da unidimensionalidade identitária, Sen defende o poder
das identidades competitivas. "Posso ser ao mesmo tempo", diz, no que é sem
dúvida uma auto-descrição, "asiático, cidadão indiano, bengali com ancestrais de
Bangladesh, residente americano ou britânico, economista, filósofo amador,
escritor, sanscritista, alguém que crê fortemente no secularismo e na
democracia, homem, feminista, heterossexual, defensor dos direitos gays e
lésbicos, praticante de um estilo de vida não-religioso, de background hindu,
não-brâmane, descrente em vida depois da vida (e, caso interrogado, descrente em
vida antes da vida também)". E complementa: "Isso é apenas uma pequena amostra
das diversas categorias às quais posso simultaneamente pertencer".
Não é possível quantificar o quanto a sociedade e a cultura devem à boemia.
Em todas as eras, em todos os países bem sucedidos, tem sido importante que ao
menos uma parte pequena da paisagem urbana não esteja dominada por banqueiros,
corretores, franquias, restaurantes genéricos, e terminais ferroviários. Esse
pequeno distrito deve, ao invés, ser a reserva de -- sem ordem especial --
insones e restaurantes e bares que nunca fecham; bibliófilos e as pequenas lojas
e bodegas que os alimentam; alcoólatras e viciados e desviantes e os
proprietários que os compreendem; aspirantes a pintores e músicos e os estúdios
modestos que podem acomodá-los; damas de virtude fácil e os homens que as
requerem; desajustados e poetas de praias estrangeiras e exílios de remotos e
cruéis ditadores. Embora não deva haver desvantagem em ser jovem em tal
distrito, a atmosfera não deve de modo algum desencorajar o veterano.Christopher Hitchens, em 'last call, bohemia', um artigo para a vanity fair sobre a importância dos bairros boêmios para as cidades que prezam pela vida cultural/espiritual/intelectual/mental
Argumentos do tipo Ad hominem tentam refutar uma afirmação ou proposta atacando
seu proponente e não fornecem um exame ponderado da afirmação em questão. ‘Ad
hominem’ significa “contra a pessoa”.
Argumentos do tipo ad hominem ofensivo
são uma espécie de ad hominem onde se ataca uma pessoa, geralmente de forma
depreciativa, por uma peculiaridade sua. Seja idade, caráter, família, sexo,
moral, posição social ou econômica, personalidade, aparência, roupa,
comportamento profissional ou político, ou filiação religiosa. A dedução é que
não há motivo para aceitar seriamente as opiniões da pessoa. Por exemplo: fulano
é mau caráter. Logo, não devemos aceitar o que ele está dizendo.
Infelizmente o noticiário político estadual dos últimos dias está repleto de
argumentos falaciosos, que não são amigos da lógica nem da argumentação
racional. Na última briga intestina entre membros do primeiro escalão do governo
Ieda, de repercussões políticas ainda incertas, mas graves, foi transmitido ao
vivo, mais uma falácia ad hominem ofensivo, que fornece a base para a estratégia
de defesa de uma ala do governo gaúcho contra outra.
X reclama que
está sofrendo assédio moral devido às irregularidades que estão sendo cometidas
por parte da gestão estadual, da qual faz parte.
Adicionalmente, X
afirma que, como autoridade pública, não pode se omitir frente provas de
irregularidades em órgãos públicos, pois isso seria crime de responsabilidade
Como prova da afirmação de X, há uma cópia de uma conversa gravada entre
X e Y, onde Y confessa esquemas de irregularidades em órgãos públicos com
objetivo de financiar campanhas eleitorais (inclusive do atual governo)
Y admite a existência de irregularidades em órgãos públicos, realizadas
para financiar o atual governo
Y não sabia que estava sendo gravado por
X, logo X é mau caráter.
Conclusão: não devemos acreditar que X sofreu
assédio moral nem que há irregularidades desse governo não investigadas.
"A alma está presente para si mesma e, apesar disso, pode estar totalmente longe
de conhecer-se; pode estar inteiramente enganada a respeito de sua própria
natureza. Assim, podemos procurar conhecer a nós mesmos; e, mesmo assim, não
saberíamos onde começar a olhar, nem teríamos consciência de ter nos encontrado,
se já tivéssemos certo entendimento de nós mesmos. Agostinho resolve esse
problema de, ao mesmo tempo, conhecer e não conhecer, através da "memória". ...É
na memória que reside nossa apreensão tácita do que somos, a qual nos guia na
passagem de nossa ignorância original sobre nós mesmos e da descrição
dolorosamente errada de nossa pessoa para o verdadeiro autoconhecimento.... Na
própria raiz da memória, a alma encontra Deus. E, assim, pode-se dizer que a
alma "lembra-se de Deus". Num sentido importante, a verdade não está em mim.
Vejo-a "em" Deus. No lugar onde ocorre o encontro, há uma inversão. Mergulhar na
memória leva-me para além". (Fontes do Self, p. 179-180)