terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Depois de tanto tempo


Estou lendo Os Irmãos Karamazov, de Dostoiévski. Tentei lê-lo várias vezes, anos atrás. A primeira vez foi logo depois de ter lido Crime e Castigo, uma obra que me impressionou muito, sobretudo pela fineza da descrição psicológica. Karamazov não é menos precioso, nesse sentido, embora os personagens, especialmente Aliocha, sejam nitidamente mais reflexivos ou mais afeitos à teorização da vida. 
Dostoiévski me fez lembrar de  Iris Murdoch  e dos mecanismos de aperfeiçoamento do caráter. Ela sustenta que os filósofos morais modernos tem se dedicado excessivamente ao estudo das condições mediante as quais uma ação pode ser caracterizada como "certa". Ela sustenta, em contrapartida, que a filosofia moral deveria se ocupar mais com a questão: "como podemos nos tornar melhores?". Para isso, valem não só argumentos, mas também metáforas ilustrativas de nossa condição. Não conheço nada melhor do que a boa literatura para proporcionar esse tipo de ensinamento. 

Um comentário:

Thainá Czapla disse...
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