quarta-feira, 16 de julho de 2008







minha segunda sugestão do novo cinema alemão é o filme Aprendendo a Mentir (Liegen lernen, Alemanha, 2003) Dirigido por Hendrik Handloegten.



O filme recebeu um monte de críticas negativas que me parecem mais coisa de intelectual abobado. Não vou fazer uma defesa. Meu objetivo é outro. Só que indicar algumas razões pelas quais me parece que o filme é bem bom.



Para os apreciadores de literatura, Aprendendo a Mentir pode ser comparado com o gênero dos romances de formação como Os Anos de Aprendizagem de Wilhelm Meinster do Goethe. Mas, num e noutro caso, a arte vai muito além do rótulo. Tanto o filme, quanto o livro do Goethe fazem muito mais do que narrar um caminho de amadurecimento. Aprendendo a mentir faz uma representação bastante sutil, alto astral, do "eu" sem referências fixas e multiplamente orientado da cultura contemporânea. E, mais ainda, o faz no difícil terreno da vida amorosa, sempre carregada de representações. As cores fortes do cenário destacam o multiculturalismo da Alemanha moderna, que contrasta profundamente com o crescente cultivo da ideologia do facismo que ainda se vê entre os imigrantes alemães que vivem no Brasil. Em termos de narrativa, lembra muito o Alta Fidelidade e Sideways, embora seja mais intimista que o segundo e mais denso e rico que o primeiro. Prá resumir, gostei prá caramba desse filme, pois mostra que a vida e o amor são sempre cheios de passados e presentes mal havidos, que não podemos concertar ou ajustar, de modo que nossa história acaba sempre sendo uma história de restos, pedaços de passado e tentativas de recomeço.