domingo, 3 de janeiro de 2010

insônia



Escrevo no começo da manhã, depois de horas acordado. Existem várias teorias filosóficas sobre o modo como apreendemos a realidade. Realistas defendem que existe uma realidade independente de nossos mecanismos de acesso a mesma e que é essa realidade que importa, pois é nela que encontra-se "a verdade". Idealistas defendem que somente conhecemos a realidade tal como ela se mostra à nossa estrutura subjetiva. Assim, não parece existir verdade independente de nossos mecanismos de apreensão da verdade. Do realista aceito a idéia de que existe uma verdade independente de mim, de meus pensamentos e do meu aparato de apreensão. O mundo, seguramente, não é como me parece quando estou insone, alegre, entusiasmado, etc. Do idealista, aceito que não é possível uma experiência independente das condições subjetivas. Horas de insônia fazem o mundo parecer lento, pesado e irritadiço e não posso apreendê-lo independentemente dessas condiçoes. Não podemos nos libertar da estrutura empírica da nossa apreensão da realidade. Mas então que sentido há em falar em uma realidade que existe independente de mim, se esta realidade jamais será experimentada?

Talvez seja simplesmente o sentido de que reconhecemos nas coisas algo que ultrapassa a perspectiva humana, um sentido onde podemos ver as coisas do ponto de vista de lugar nenhum: o mundo por trás do véu da insônia e da tristeza. Mas que papel tem na economia da vida esse mundo visto de lugar nenhum? Ele me torna pequeno e insignificante, afinal me desloca para fora de mim. Ele também me torna grande, na esperança de poder ver as coisas como elas realmente são. Existe uma verdade superior à dialética do idealismo e realismo?

Um comentário:

Le-Xandix disse...

existe milhares de realidade das quais não conhecemos ... existe outras dimensões... existe tanta coisa...