sábado, 23 de agosto de 2008
Estive assistindo uma palestra da filósofa e participante do Programa Saia Justa do GNT, Márcia Tiburi, na Feira do Livro do pequeno munícipio de Vera Cruz, no RS. Lembrava dela dos tempos dos colóquios de Estética do Christian Hamm, em Santa Maria. Ela é muito gentil, camarada e me pareceu bem mais bonita ao vivo do que na TV. Até onde entendi, ela defende a idéia de que a filosofia é uma espécie de conversação, um tipo de troca dialogal onde, num jogo de envio-recepção-apropriação de sentido entre pares, amigos, procuramos desvendar o ser, o que existe, ou seja, a condição humana e a realidade envolvida. Concordo com a idéia, desde que se entenda que o acento seja colocado na natureza da conversão e não tanto no ato de conversar.
Afora isso, simpatizei com a idéia de que os filósofos têm uma importante contribuição a dar no espaço público para criar as condições para uma conversação qualificada, menos definida e mais aberta, digamos, das nossas questões. Ela recomenda que nos intrometamos, que não tenhamos vergonha de nos mostrar no universo que existe fora dos muros da Academia, onde esse trabalho de conversação ainda está por ser feito. Bacana!
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2 comentários:
Também achei-a mais bonita pessoalmente, percebí na hora... hehe
Flávio, as vezes sou um cara meio chato... tu poderias detalhar para mim, com exemplos práticos, essa idéia do filósofo como aquele que cria condições para a conversação no espaço público? Entendo a idéia, e com certeza facilito muitas conversas no meu meio social, mas é só isso? tu poderias esclarescer teu ponto?
Valeu abraço!
Thiago
Thiago,
Até onde entendi, pois não conheço no detalhe o trabalho dela, ela não usa a expressão conversação no sentido usual, de uma conversa entre pessoas. É mais no sentido de um tipo de construção partilhada de noções úteis para o esclarecimento da nossa condição. Um dos pressupostos fundamentais dessa idéia é que o pensamento ou a elaboração conceitual (tentar, por exemplo, traduzir o que é ter ser ou existência, o problema da ontologia)é multiplamente elaborado. As teorias filosóficas são construções que envolvem correlações de várias forças. Pense, por exemplo, no trabalho de Descartes. Nós estudamos Descartes, mas ele existiu e as teorias dele foram elaboradas sob o influxo de várias forças da época como o tomismo, o nova ciência de Galileu, etc. Uma das objeções que poderiam ser feitas às idéias da Márcia é que esse elemento não é fundamental para caracterizar a filosofia, que a tarefa da filosofia é o estudo de certos conceitos fundamentais e que a conversação representaria o modo como esse estudo pode ser conduzido. Acho que essa é uma boa objeção, mas que não deve preocupar muito para as finalidades do trabalho que ela vem desenvolvendo: ela quer instituir um sentido aberto (em alguma medida talvez até um pouco frouxo) da prática filosófica.
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