quarta-feira, 22 de junho de 2011

Inverno, por Paulo Neves


Estou renascendo. Talvez por isso meu blog ande meio morto. Para animá-lo resolvi tomar de empréstimo essa bela postagem do grande escritor e poeta Paulo Neves, que presta uma justa homenagem ao inverno. Se gostar, você pode ler outras coisas dele no limiar.

"Se há uma alegria para cada estação, qual seria a do inverno? Sim, aquecer-se. Mas aquecer-se interiormente. O que exige concentrar-se num exercício, num trabalho manual, num estudo, na contemplação do fogo… E sem nenhuma pressa, até mesmo sem finalidade. Como a semente que se protege no solo, aparentemente esquecida. O frio incita a concentrar-se como ela, no recolhimento de uma secreta e ainda não sabida alegria".

sexta-feira, 8 de abril de 2011

sobre popularidade, profundidade e obscuridade filosóficas

"...não é habilidade nenhuma ser compreensível a todos quando se desistiu de todo do exame em profundidade; assim esse método traz à luz um asqueroso mistifório de observações enfeixadas a trouxe-mouxe e de princípios racionais meio engrolados com que se deliciam os cabeças ocas, pois há nisso qualquer coisa de utilizável para o palavrório de todos os dias, enquanto que os circunspectos só sentem confusão e desviam descontentes os olhos, sem aliás saberem o que hão de fazer; ao passo que os filósofos, que podem facilmente descobrir a trapaça, pouca gente encontram que os ouça quando querem desviar-nos por algum tempo da pretensa popularidade para, só depois de terem alcançado uma idéia precisa dos princípios, poderem ser com direito populares". Immanuel Kant, na Fundamentação da Metafísica dos Costumes.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Yogananda, sobre as dificuldades da vida


"Pode-se ter grande sabedoria cultivando a consciência de que o mundo e tudo que nele existe é apenas um sonho. Em primeiro lugar, não leve muito a sério suas experiências terrenas. A causa fundamental da infelicidade está em ver esse espetáculo passageiro com envolvimento emocional. Se pensamos continuamente- "não vivi como devia ter vivido"- só nos tornamos mais infelizes ainda. Em vez disso, faço o que puder para melhorar e, sejam quais forem as dificuldades, afirme sempre: "Tudo isso é um sonho. Logo passará". Assim, nenhum problema será uma grande tragédia. Nenhum acontecimento no mundo poderá jamais torturá-lo" 
(Paramahansa Yogananda).

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Eu e o Rock

Andei vendo um especial da Globonews sobre o Rock in Rio de 1985: Queen, Whitesnake (foto), George Benson, Yes, Barão (da época do Cazuza, na foto abaixo)...inacreditável! Lamento muito não ter estado lá. Em 85, eu tinha nove anos. Só escutava o som das cigarras dos potreiros lá de casa e, suspeito, um disco arranhado do Teixerinha no toca-discos velho do meu pai. Nessas horas, vocês entendem porque eu nunca gostei de ter nascido no interior. É, mas se tivesse nascido numa grande cidade como o Rio, eu teria chances de ser um carioca pernóstico como o Nelson Motta. Melhor que meu passado tenha sido do jeito que foi. No fundo, o que conta é o que fazemos de nós mesmos, quando temos oportunidade!
E a propósito: o Dinho Ouro Preto já era ridículo nos anos 80!!


sábado, 18 de dezembro de 2010

Eterno Retorno do Mesmo


Os anos são contados em linha reta ou círculos? Os meus já foram contados em linha reta. Antigamente eu corria, corria e queria chegar antes no final do caminho; queria saber o que encontraria "lá", como se o melhor e único prazer do autor fosse contemplar a obra pronta. Não experimentava a fortuna sutil de ser um caminhante que desfruta cada manhã, cada pedaço da grama verde pisada, cada folha do livro emprestado que li sozinho ou embalado em algum diálogo amigo. Mas meu tempo hoje dança noutro ritmo.   A vida anda cheia de retornos, de retomadas. O cenário nem sempre é o mesmo, muda uma ou outra figura. O palco e os atores são os mesmos. Ontem mesmo estive, por uma hora e depois de uns 12 anos, conversando com o Manuel, morador do bloco dos funcionários, no Campus da UFSM. Morei lá por perto quase uma década e ver aquelas paredes, rebocos e as ervas velhas, plantadas entre lajes de cimento, brotando nas calçadas, me fez enxergar o quanto eu voltei.
Manuel era o barbeiro dos moradores da Casa do Estudante-  CEU II (A CEU I fica no Centro de Santa Maria). Ganhava a vida cortando cabelo e vendendo "nega maluca" feita pela sua esposa, a Catarina. Nos tempos mais difíceis chegou a trocar um liquinho de gás por 50 cortes de cabelo. "Baitá negócio! Eu precisava do liquinho e fulano precisava cortar os cabelos", me disse. Precisava, precisão! Era assim, afinal, a vida que levávamos: matando cachorro a grito e resistindo ao mar revolto, um agarrado no ombro do outro. Sobrevivemos...com a alma intacta ou, ao menos, aparentemente lúcida. E ver o passado que foi e o presente que somos é como ver o tempo rodar, rodar, carregando nossa alma dentro dele, feito redemoinho. O eterno retorno do Nietzsche. Eis aqui a célebre passagem:

O maior dos pesos.- E se um dia, ou uma noite, um demônio lhe aparecesse furtivamente em sua mais desolada solidão e dissesse: "Esta vida, como você a está vivendo e já viveu, você terá de viver mais uma vez e por incontáveis vezes; e nada haverá de novo nela, mas cada dor e cada prazer e cada suspiro e pensamento, e tudo o que é inefavelmente grande e pequeno em sua vida, terão de lhe suceder novamente, tudo na mesma sequência e ordem- e assim também essa aranha e esse luar entre as árvores, e também esse insante e eu mesmo. A perene ampulheta do existir será sempre virada novamente- e você com ela, partícula de poeira!"- Você não se prostaria e rangeria os dentes e amaldiçoaria o demônio que assim falou? Ou você já experimentou um instante imenso, no qual lhe responderia: "Você é um deus e jamais ouvi coisa tão divina!". Se esse pensamento tomasse conta de você, tal como você é, ele o transformaria e o esmagaria talvez;  a questão em tudo e em cada coisa, "Você quer isso mais uma vez e por incontáveis vezes?", pesaria sobre os seus atos como o maior dos pesos! Ou o quanto você teria de estar bem consigo mesmo e com a vida, para não desejar nada além dessa última, eterna confirmação e chancela? (Gaia Ciência, parágrafo 341)

Retornar. Repetir. O eterno retorno de Nietzsche é bem mais trágico que o meu. Estou simplesmente reencontrando meu passado. E a sensação não é ruim, embora haja um curioso intervalo entre viver e reviver, um intervalo que torna vaga a própria vida. Ficamos com a sensação de dejá vu o tempo inteiro, como se a vida mesma não fosse nossa. E a pergunta de Nietzsche, como respondo? Talvez já seja problema demais pensar a vida mesma,dentro dela. O que dizer então da possibilidade de pensá-la de fora, como Nietzsche parece supor? Afinal, aceito ou nego minha condição? Somos surpreendidos o tempo inteiro. O que ontem era mau, hoje torna-se bom. Em desvãos levamos nosso ser, atropelado, silencioso, entristecido, pleno. Não vejo por que se deveria condenar ou absolver nossa vida. Precisamos realmente é estar nela! Mas não será isso mesmo que Nietzsche mais quer?

sábado, 4 de dezembro de 2010

Escreva Lola Escreva: NÃO SOMOS HOMOFÓBICOS

Esse belo post, indicado pelo Paulo no Facebook, abriu meus olhos para a gravidade da violência e preconceito contra homossexuais
Escreva Lola Escreva: NÃO SOMOS HOMOFÓBICOS: "Como todos sabem, o Brasil vive uma total democracia racial, com irrestrita liberdade de oportunidades para brancos e negros, e o fato da ma..."